O orgulho de vivermos na APA Jundiahy

 

Jundiahy é um lugar triplamente de quatrocentos, com seus quase 400 anos desde a vila colonial (sem contar os povos nativos anteriores), com seus pouco mais de 400 quilômetros quadrados atuais e seus pouco mais de 400 mil moradores estimados.

Mas esse mesmo orgulho deve ser também responsabilidade, porque além de tudo isso ainda é oficialmente uma área de proteção ambiental, uma APA, reconhecida nacionalmente dentro do Sistema Nacional de Unidades de Conservação pela quantidade de espécies naturais de plantas e animais que vivem aqui.   

Esse múltiplo coincide também na legislação. São quatro as leis principais que orientam a cidade. As municipais são a lei 8.683, de 2016, que organiza a cidade em área urbanas, com suas zonas internas e principalmente as zonas periurbanas de transição, e as áreas rurais e de mananciais. E a lei 417, de 2004, que organiza o território das montanhas da Serra do Japi que completam o “cinturão verde” do município.

Já as estaduais são a lei 4.095, de 1984, que criou a APA Jundiaí, e a lei 12.290, de 2006, que ampliou seus cuidados para as nascentes da bacia do rio Jundiaí-Mirim em Jarinu e Campo Limpo Paulista e da bacia do ribeirão Cachoeira-Caxambu em Itupeva.

Uso aqui o termo APA Jundiahy porque não estamos falando apenas da lei estadual, mas do conjunto real e natural em que vivemos com nossas mais de 300 espécies (apenas de aves registradas no portal Wikiaves) e que em parte convivem com muitos moradores no seu dia a dia, dependendo da proximidade de fragmentos de mata atlântica ou cerrado ou em alguns casos até em plena área urbana. Mas sempre lembrando ecologicamente que outras espécies não voam - e sempre vale citar isso para refletir sobre muros extensos, atropelamentos em rodovias e avenidas ou as paisagens que desaparece pelo excesso de torres.   

Também usamos a grafia original do nome da cidade (que aplicamos ao seu centro histórico entre rios) para valorizar a longa história da própria cidade com seus personagens de destruição ou de conservação, de acertos e de erros. Precisamos de mais incentivo a reservas naturais particulares e de mais controle social sobre grandes especuladores e pequenos infratores. Mas, acima de tudo, a existência da APA Jundiahy é também um estado de espírito, uma cultura própria, uma conquista de várias gerações principalmente de forma voluntária e amorosa ao lado das formas técnicas, científicas ou políticas. É uma atitude.

Os mapas da lei 8.683, do Plano Diretor, e da lei 4.095, da APA Jundiaí, são bastante próximos e ainda coincidem com a situação real da invasão urbana detectada em 2015 pelo enorme levantamento nacional do Map Biomas.

Já os mapas da lei 407, da Serra do Japi, e da lei 12.290, da incorporação de nascentes vizinhas na APA, oferecem a visão regional com a primeira decorrente do tombamento da serra em quatro municípios em 1983, depois das grandes passeatas ecológicas e a segunda aumentando o entendimento de que as águas não se limitam a divisas ou fronteiras.

Parabéns, APA Jundiahy e seus moradores pobres, médios ou ricos que fazem parte da luta humana pelo futuro desse planetinha azul. Podemos discutir muito, mas não podemos vender suas vidas, suas histórias e seus potenciais que são nosso legado para as novas gerações (humanas e naturais).


José Arnaldo de Oliveira

Cientista Social e Jornalista - Portal Jundiahy

(livre reprodução desde que citada a fonte)

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Imagem Projeto Map Biomas 2015 - em vermelho as invasões urbanas, em verde as matas remanescentes da floresta atlântica e em bege os campos de cerrado, agrícolas ou desmatados.


 
 
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