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Os preparativos para o primeiro vôo a São José dos Campos foram feitos com a seriedade requerida pela importância da missão além da emoção da visita ao "Olimpo". Na véspera eu me encarreguei de preparar o avião, um
Paulistinha P-56 com potente motor Continental de 95 HP e hélice de passo
fino, prefixo PP-HMU, o qual eu limpei por fora e por dentro, com o
aspirador de pó da minha mãe, além de abastecer "até a boca" e acomodar a
carga que era composta de grandes pacotes com folhetos de propaganda, da
festa é claro, que deveriam ser jogados em algumas cidades da rota; a
missão secundária.
Madrugada da partida e lá estávamos o "Massa" e eu, vestidos a caráter com
camisa branca, gravata preta e calça azul-marinho, meu antigo uniforme de
colégio que se transformou em roupa de aviador, exigência do "Massa" que além da indumentária trazia debaixo do braço um enorme mapa, uma
régua de plástico de uns 60 cm bem como esquadros, transferidor e, nos bolsos, lapiseira e lápis vermelho, instrumentos indispensáveis para a
importante navegação.
Abordamos a aeronave e nos acomodamos, eu muito mal sentado em cima de uma
camada de pacotes , com a cabeça entalada na ferragem da cabana e
segurando com os cotovelos a pilha de pacotes no bagageiro sem poder amarrar o
cinto de segurança quando ouço o "Massa" dizer - " Livre !!!"- ao mesmo
tempo que percebemos que não há ninguém para dar hélice e eu tenho que descer para a tarefa. Voltando para dentro me acomodo pior ainda, com os
pacotes se espalhando, e lá vamos nós .
Proa de Agudos, nosso primeiro alvo, e logo descemos fazendo uma
passagem bem sobre a praça principal, à altura de “meia torre”, quando eu
começo a atirar os maços de folhetos lutando contra o vento e as manobras do "Massa" para desviar da igreja voando tão baixo que parecia ter a
idéia de que eu ia entregar os folhetos nas mãos das pessoas que olhavam para cima com curiosidade e algum espanto.
Mais umas passagens e eu disse para o "Massa” prosseguir para Lençóis
enquanto eu tentava dar um pouco de ordem no bagageiro e no meu banco.
Pouco tempo depois olhando no horizonte vejo Bauru (?), aviso o "Massa" que
imediatamente inicia uma curva e diz com sabedoria - " Eu estava
checando..." - e assim continuamos passando por São Manoel, Botucatu, e outras até que em Piracicaba acabaram-se os folhetos e iniciamos a
navegação propriamente dita tomando a proa mais provável para Campinas.
Avião estabilizado no céu azul da manhã com o sol forte na frente e uma
porção de cidades no horizonte das quais o "Massa" escolhe uma e apontando
diz - " Campinas na proa..." - e assim continuamos apreciando a paisagem em
direção à grande cidade da qual vamos nos aproximando para sobrevoar com precisão a estação ferroviária com sua esplanada de trilhos e o grande
armazém em cujo telhado estava escrito Jundiahy acompanhado de uma seta e
a inscrição 6km.
Meu
nome é Cristiane. Nasci em 24/04/64. Perceberam quantos números 4? Esse
número me lembra quatrilho, dois pares perfeitos ou então um quadrado
com seus quatro lados iguaizinhos… Enfim, pensando nisso tudo me
lembrei que a vida não é perfeita, não é um quadrado ou não é
redondinha para quem preferir, como um círculo perfeito.
Uma ideia puxa outra. É de ideias e palavras que vivem e
sobrevivem os escritores e, deixando a matemática e a geometria de lado,
me considero uma escritora. Ou melhor, alguém que brinca com a língua
escrita, amada língua portuguesa. Deus salve Camões e Pessoa! Quem sou
eu perante tais gênios? Mas continuarei humildemente rabiscando
palavras, juntando pontos (adoro reticências), costurando versos,
contando histórias, lendo e relendo Machado e Clarice…
Voltando ao primeiro parágrafo, onde geralmente se localiza o tópico
frasal (rsrsrs), a vida não é perfeita nem eu. Nasci no ano de uma
revolução. Ano passado escrevi uma carta para meu filho André me
desculpando por não ter conseguido realizar a tão sonhada revolução que
a minha geração ainda acreditava ser possível, queria tanto um país
melhor para o meu e para todos os filhos desta nação.
Em 1982 eu fazia parte da Convergência Socialista. Saíamos às ruas
gritando que as Ilhas Malvinas não eram inglesas e sim argentinas,
admirávamos Cuba, tínhamos camisetas e fotos de Che. Foi nesse mesmo
ano que participei da fundação do PT em Jundiaí, um partido que nasceu
“rachado” com dois candidatos, um médico “burguesinho”, adorávamos esse
termo, e um operário metalúrgico, claro… Foi um fiasco, mas isso é outra
história.
O que conta é que conheci pessoas bem legais como Erazê, Galvão,
Arnaldo, Mané Melato, Guttemberg, Drácula, Décio, Marcão, Reinaldo,
Bita, Venâncio, Casca, Rato, Sandra, Edna, Celinha, Roberto de Santis,
Gariba, Maurício, Gentil e mais três pessoas que eu gostava de modo
especial e que hoje estão no céu: Geraldo Coelho, José Henrique e nosso
querido Chocolate. Nem todos pertenciam ao partido, mas o ponto de
encontro era o mesmo bar, o Groovy’s, em frente à Praça Rui Barbosa.
Seu proprietário era o Portuga. Era uma mistura: jornalistas,
intelectuais, bichos grilo, músicos e vagabundos, no bom sentido.
Vocês devem estar se perguntando: o que essa louca quer com esse
megatexto? Simples, gostaria que me conhecessem um pouquinho e também
convidar todos aqueles que em algum momento na vida frequentaram esse
momento político, esse boteco, que entrassem em contato comigo através
do blog para um futuro reencontro. Um brinde!
A legenda não adere mais às imagens. A Paris virtual se separa há tempos da Paris real. É hora de atualizarmos nossas imagens. (...) A economia é menos vasta que o céu, ao menos se cremos em seus profetas que a tratam como o horizonte intransponível de nosso tempo.
Cada vez que vejo os noticiários sobre
literatura digital, mais percebo que a discussão anda dando voltas nela
mesmo. Por conta do lançamento do novo Kindle, voltou à pauta a
história do leitor digital vai substituir o livro de papel.
Particularmente, esta discussão está no
mesmo patamar das polêmicas sobre se foi mesmo ou não aquele pênalti
que o juiz marcou aos 40 minutos do segundo tempo. Gostem ou não os
puristas, assim que o mercado achar o modelo correto para ganhar
dinheiro em cima, os livros serão mais digitais do que de papel,
restando a este último um nicho de mercado que pode ser muito bem
explorados - basta pensar nos preços de um vinil hoje em dia.
Entretanto, a questão mais importante é
realmente a omissão dos próprios escritores. Talvez o suporte físico
ainda anime mais os escrivinhadores que, necessariamente, tendem a
diminuir o valor de uma obra digital. Boa parte apenas mascara o óbvio:
a falta de iniciativa para fazer algo realmente diferente. A literatura
digital hoje ainda é um mero simulacro da literatura feita em papel -
começo, meio, fim, história linear ou não, estilos variados,
brincadeiras de linguagens e ponto. Poucos sabem explorar a
potencialidade do suporte digital. Na própria MOJO apenas Juliana Fees,
que escreveu Extraordinary machine, baseado no álbum da Fiona Apple,
fez uma tímida incursão no vai pra lá e pra cá que o digital permite
terminando seu livro em um post de blog.
Raríssimos escritores brasileiros tentam ir numa linha de Joe Davis, por exemplo (http://www.telescopictext.com),
evidenciando que, como já se sabe por aí, a literatura nacional tem
muito mais de ego e autosuficiência do que uma exploração artística ou
inquietante.
Dito isso, está na hora de deixar de lado
a briga entre digital e papel e pensar, seriamente, no que o ambiente
digital pode trazer de experiências literárias que quebrem paradigmas,
que desafiem de verdade.
O Campari levado à boca num copo largo. O fundo é branco. Cor do guardanapo que a transparência do copo me revela.
Solitário na mesa, encontro companhia em mesas alheias. Gente solitária, encontrando companhia em minha solidão sentada em cadeiras vermelhas.
Uma pausa para misturar o gelo no Campari, que é vermelho também.
Zambelli no violão, dedilha respeito de história. Respeito de homem honesto com gravata vermelha, que abre uma porta e sempre a mantém aberta. Aberta para luz.
A "menina do pandeiro",com seus 72 anos de largo sorriso, dá ritmo ao bar. Coloca artesanato nos ouvidos dos solitários. E no pulso das mãos que acompanham cantores de botecos está amarrada a fita de Nosso Senhor do Bonfim. Fita vermelha.
E nas alturas da observação, a solidão amolece. Encontra sentido e gratidão da melancolia ser tão amena e com cor.
A música escolhida para terminar a noite é do sábio e velho Robertão. Aquela que pede para Nossa Senhora estender a mão.
Os solitários se unem num coro e, entre mesas vermelhas e grades da mesma cor, pelo menos por uma canção deixam de ser sozinhos.
Nômade tem uma história engraçada: o livro nasceu de uma encomenda estilo “contrato de risco” de uma importante editora do ramo de livros juvenis. Basicamente, perguntaram-me se eu topava escrever um romance para jovens sem compromisso, submeter a eles e, se gostassem, o livro saía. Resumindo: escrevi. Submeti. Gostaram mais ou menos. Reescrevi. Gostaram pra valer. Não saiu.
Por quê? Não faço a menor idéia. O que sei é que passei a maior parte da presente década esperando que alguém na tal editora batesse o martelo, me apresentasse um contrato, fizesse alguma coisa. Depois de tanto tempo, até uma rejeição, tipo, “desculpe, mas o funcionário que deu aprovação inicial a seu livro foi diagnosticado com esquizofrenia, jamais publicaríamos um lixo desses”, teria sido bem-vinda.
Mas, bolas, para quê tratar escritores com cortesia e consideração, não é mesmo? Eles se vendem por aí, como diz o provérbio americano, por dez centavos a dúzia.
Então, o que pretendo ao lançar Nômade como um livro eletrônico grátis? Eu poderia responder dizendo que faço isso para exorcizar o fetiche do papel, que este livro representa meu grito de liberdade em relação às velhas mídias ultrapassadas que dependem de tinta e árvores mortas para subsistir. Mas estaria mentindo. Meu objetivo secreto, com este livro, é fazer tanto sucesso, mas tanto sucesso, que seja lá quem for o gênio que bloqueou a publicação lá naquela editora termine seus dias em desonra, opróbio e ostracismo, passando frio e fome e vendendo DVDs piratas na Praça da Sé.
Como conseguir o objetivo secreto é um pouco difícil, reconheço, meu objetivo expresso é, simplesmente, completar o parto iniciado tantos anos atrás. Cada escritor tem seu jeito, suponho, mas eu sou um maníaco da publicação: saber que tenho um texto acabado na gaveta é algo que me dói quase tanto quanto ter uma batata quente nas mãos.
Nestes quase 18 anos como escritor profissional (recebi meu primeiro cheque por uma obra de ficção em 1992) uma coisa que aprendi é que sou um péssimo vendedor: não adianta eu bancar uma tiragem e pôr a banquinha na rua, o livro vai encalhar, independentemente de seus méritos. A incapacidade psicológica de pedir dinheiro aos outros é um dos fantasmas que assombram minha vida. Então, por que não simplesmente soltar o livro no mundo? Parece ser a solução lógica.
Outra coisa que aprendi nestes 18 anos é que os textos têm um jeito de achar seus próprios caminhos. Dia desses, dando uma busca por meus próprios títulos no Google (narcisista! narcisista!) achei o blog de uma menina que cita minha primeira coletânea de contos, Medo, Mistério e Morte, como um de seus livros favoritos. Essa moça provavelmente nem tinha nascido quando os primeiros contos daquele livro foram escritos.
Então, aqui está Nômade. Talvez um dia ele venha a ser o livro favorito de alguém que não nasceu ainda. Não é um castelo na França, uma vaga na Academia ou um fim de semana na Ilha de Caras, mas acho que dá para o gasto.
Tangendo pensamentos juntamente com o tempo, que conflui para o solstício, desperto sensações que resgatam o equinócio, luz sempre nos caminhos em iguais proporções, mesmo com os dias mais escuros, visitas noturnas mais longas, pois mesmo no solcístio, as estrelas abrilhantam o céu, as estações e o tempo.
Nessa estação a natureza começa poupar seus esforços, já sentem a pequena distância do Sol, a míngua do dia, sinais de redução energética e adaptação a novas circunstâncias.
No Japi, nosso conjunto florístico denominado como Floresta Mesófila Semidecídua, tem por característica: vegetação de porte médio a alto, com dossel fechado e subosque denso, uma transição de florestas litorâneas com o cerrado.
É nessa época que o Japi faz jus a sua nomenclatura MESÓFILA SEMIDECÍDUA, e contribui acentuadamente para a dinâmica da floresta, pois seus indivíduos necessitando poupar nutrientes, retira-os das folhas, concentrando-os no caule, assim as folhas ressecam e caem, sendo depositadas no solo (serrapilheira) e decompostas por fungos e bactérias, retornando como nutrientes. A perfeita reciclagem natural da matéria orgânica.
Outono, estação que demarca a decadência e que nutre a colheita, pois é época de preparação para a próxima fria e hibernante estação, o inverno.
As belas habitantes da nossa preciosa Serra do Japi estão iniciando este ciclo, desprendendo-se parcialmente ou integralmente de suas folhas, folhas que já não fazem sentindo adornar seus ramos, mas que alimentarão o solo.
A sábia experimentação que veicula percepções é que as árvores armazenam somente o necessário, suficiente para mais uma passagem em suas vidas.
Esta viagem sonora criada por adolescentes de Jundiahy:
Numa cultura em que impera
uma visão paternalista, liderar democraticamente não é tarefa das mais
fáceis. Acostumados a esperar decisões unilaterais e "eficazes" das
lideranças, os liderados, muitas vezes, ou se acomodam em seus
particularismos, esperando atendimento, ou se desresponsabilizam pela
sua tarefa de ajudar a consolidar ambientes democráticos.
As
críticas, tão necessárias ao ambiente coletivo, ainda não são feitas
tendo em vista o interesse do todo e é mais fácil pegar a liderança
para Cristo. As inquietações humanas quanto ao trato com a autonomia
deslegitimam o poder democrático, na medida em que o outro é visto como
único responsável pelo sucesso ou insucesso dos projetos que são
desenvolvidos nas organizações. E também pelo atendimento a interesses
pessoais.
Numa sociedade marcada por relações verticais, sofrida
com os anos de cultura autoritária, construir autonomia participativa e
renegar o paternalismo ainda se constitui como um grande desafio. Ser
autônomo, num mundo marcado pelo clima de centralismo decisionista,
principalmente a partir da fragilidade das autoridades, tornou-se
ambição de segundo plano.
Os pais fazem tudo pelos seus filhos,
inclusive acobertam seus poderes de decisão, gerando desde a família,
uma relação inversa de autoridade, em que pesa mais o choro dos que
comandam (os filhos) que a legitimidade do poder dos adultos.
Nas
organizações, quando da construção de alternativas de gestão pautadas
no diálogo e na transparência, emergem insatisfações motivadas pela
influência do paternalismo. Se não há soluções imediatas para problemas
de ordem pessoal ou coletiva, a grande vitrine da liderança sempre
estará na berlinda. Em muitos casos, a fidelidade ao projeto e às
pessoas fica em segundo plano, além da compreensão que decisões
coletivas demoram e não caem do céu, como desejam os afoitos. As
crianças grandes ainda teimam em considerar que devem decidir pelos
pais, vistos como vítimas da indecisão e da ineficiência.
Outro
problema que afeta sobremaneira o ambiente de gestão é o da mania de
comparações. As pessoas julgam e categorizam envolvimentos com o
projeto a partir de seus referenciais sobre o que é melhor para o
grupo. Desta forma, se isolam do coletivo e não conseguem se colocar
democraticamente, sujeitas a criticar e a receber críticas. A
possibilidade da fala enseja também da crítica. E tem também a
autocrítica, categoria ainda mais esquecida.
(o autor é diretor do Colégio Paulo Freire e o artigo foi publicado no Jornal de Jundiaí em 01/07/09)
Não via a hora de virar do sábado para o domingo com Marcelo D2, que se apresentou à meia noite pela Virada Cultural de Jundiaí. Ele chegou a ser preso acusado de apologia à maconha e hoje mostra que sua maior defesa é a da música como manifestação social sem fronteiras e preconceitos: já gravou com figuras da velha guarda como João Donato e juntou samba com rap em busca da batida perfeita.
Desabafo, seu sucesso atual, merece tocar também nas conferências sobre segurança pública que acontecem neste ano no país:
"(...) Ok, então vamo lá, diz: tu quer a paz, eu quero também, Mas o estado não tem direito de matar ninguém. Aqui não tem pena de morte mas segue o pensamento. O desejo de matar de um capitão Nascimento. Que, sem treinamento, se mostra incompetente. O cidadão por outro lado se diz, impotente, mas a impotência não é uma escolha também? De assumir a própria responsabilidade, hein?
Sempre fui cercado por parentes e amigos que, mesmo sendo honestos e trabalhadores, não tinham a visão crítica necessária para compreender como as coisas funcionavam. Meus familiares limitavam-se a repetir o que ouviam, liam e viam na mídia, especialmente na rede Globo, nas revistonas e nos jornalões (que apoiaram o golpe militar, embora hoje finjam que não). Assim tinham medo de comunistas, pois diziam que comiam criancinhas e dividiam a casa das pessoas ao meio (o fato de não termos imóvel próprio não parecia contradizer esse receio), achavam que Che Guevara era um baderneiro profissional (ser pago para fazer baderna, isso é que é profissão!), acreditavam que o Brasil tinha tantos problemas porque pobre não gosta de trabalhar (usar o salário mensal só para pagar contas e cobrir o rombo no cheque especial, imaginavam, não era coisa de pobre) e por aí vai.
Nem preciso dizer que, obviamente, eu também repetia tudo isso e acreditava no que estava falando, mesmo sem ter o menor embasamento teórico ou prático para tanto. Minha vida escolar foi uma piada. Estudei em colégio particular (de freiras!) do maternal ao ensino médio. Para se ter uma idéia do desastre que isso significa, nasci em 1971 e cheguei até o final da minha fase educacional básica sem nem saber que vivíamos sob um regime ditatorial ilegal e imoral.
Em nossa entrevista à Rádio Cidade de Jundiaí apresentamos os resultados obtidos na pesquisa Jundiaí Cenário político após as eleições municipais de 2008 (Hegemon). Sem dúvida, um dos dados que mais geraram debate foi o referente ao grau de conhecimento da população jundiaiense em relação ao seu prefeito: quando perguntamos se o entrevistado sabia quem era o prefeito da cidade, 11,8% respondeu quem não sabia.
Podemos interpretar este número como sendo fruto da apatia política que vem atingindo os regimes políticos do mundo inteiro. Em países onde o voto é facultativo, tem havido uma queda no índice de comparecimento do eleitorado à eleição (existindo, porém, exceções como a eleição de Barack Obama em 2008, que mobilizou 64,1% dos leitores, um recorde apenas comparado ao observado na eleição presidencial de 1960, quando 63,1% do eleitorado foi às urnas e elegeu John Kennedy o líder máximo da nação norte americana). No caso do Brasil, em que o voto é obrigatório, o que observamos é um número cada vez maior de pessoas que votam e, no ano seguinte, sequer se lembram em quem votaram.
A apatia política pode estar relacionada aos altos níveis de corrupção de um país ou unidade nacional, que tende a fazer com que o eleitorado sinta-se incapaz de interferir, de fato, nas questões políticas, o que faz com que o custo de se votar conscientemente (lembrando que o custo da busca de informação para que se proceda um voto, de fato, informado, é bastante alto); ao distanciamento dos partidos políticos de suas bases, ou seja, dos cidadãos, fazendo com que os partidos pareçam apenas siglas sem qualquer identificação mais consistente; à escolha por não participar da vida política, escolha esta baseada no direito liberal de se escolher qual a melhor maneira de se levar a vida, enfim, a apatia política pode ter várias causas, muitas vezes, associadas.
Como combatê-la de maneira eficaz tem sido um dos objetos de estudo de cientistas políticos do mundo inteiro.
Hoje temos três grandes variáveis a equacionar em escala mundial: o
aquecimento global, a crise econômica e a falta de emprego. A melhor
estratégia seria projetarmos o futuro unindo esses três problemas, pois
na verdade não há mais como andarem separados. O único caminho para o
futuro é o da economia verde, que contemple um desenvolvimento
sustentável, gerando emprego e renda ao mesmo tempo que remodela as
estruturas que hoje exaurem os recursos naturais do planeta.
Entretanto, iniciativas e políticas públicas vêm sendo adotadas em
compasso muito lento, quando não dão marcha-ré.
O estudo "Empregos verdes: trabalho decente em um mundo sustentável e
com baixas emissões de carbono", da Organização Internacional do
Trabalho (OIT) trata desse assunto, relacionando empregos verdes à
redução dos impactos ambientais e à sustentabilidade. Eles estão em
praticamente todas as áreas, como construção civil, energias
renováveis, agricultura, indústria e também em serviços, a exemplo do
turismo.
De acordo com o estudo, apresentado em setembro do ano passado, cerca
de 1,5 milhão de brasileiros estão em atividades dessa natureza.
Destes, 500 mil trabalham com energias renováveis, 500 mil com
reciclagem e o restante em reflorestamento, construções sustentáveis e
saneamento, entre outros. Sendo que os setores apontados como mais
promissores são reciclagem e biocombustíveis.
Paulo Sérgio Moçouçah, coordenador do Programa de Trabalho Decente e
Empregos Verdes da OIT no Brasil, afirma que as tecnologias verdes
tendem a empregar mais do que as tradicionais. Segundo ele, manter o
aquecimento global controlado até 2050 exigirá o equivalente a 1% do
PIB mundial por ano. Isso pode significar dois bilhões de pessoas
empregadas em atividades sustentáveis no mundo até lá.
Surpreendentemente, combater o aquecimento global, ao contrário do que
dizem os críticos, pode gerar mais empregos do que suprimí-los. Isto
derruba o argumento imediatista de que a máquina simplesmente precisa
trabalhar a todo vapor, sob pena de o mundo mergulhar em retração
econômica e pobreza. Os ambientalistas, assim, estão muito mais
conectados com a ideia de desenvolvimento econômico do que se possa
imaginar. Preservar e gerar riqueza são verbos que caminham juntos.
Recentemente o presidente americano Barack Obama anunciou um programa
interno de ajuda econômica que prevê mais de 50 bilhões de dólares para
estimular a criação de empregos verdes e a geração de energia limpa,
com limites mais rígidos para a emissão de gases poluentes por parte da
indústria automobilística.
O governo inglês também vem se direcionando para este caminho. O
primeiro-ministro Gordon Brown anunciou que boa parte dos incentivos
liberados para reaquecer a economia serão destinados aos empregos
verdes. A meta imediata é de 400 mil postos de trabalho verdes.
E o Brasil? Está flagrantemente atrasado nos esforços para expandir a
economia verde. Não me canso de dizer que temos condições privilegiadas
para avançar nesse rumo, sendo detentores, como somos, de excepcional
biodiversidade, combinada com características de diversidade cultural e
social. Mas para utilizar esses trunfos é preciso pensamento
estratégico. Não basta apenas ter olhos para o crescimento do PIB. Ele
não mede tudo o que é necessário fazer convergir para atingir o
objetivo do desenvolvimento sustentável. Sair do economicismo rígido e
pernicioso é praticamente um pré-requisito para começar a entender a
potencialidade da economia verde.
Temos capacidade técnica e institucional, além de uma sociedade atenta
e disposta a dar a sua contribuição. Esses são os elementos necessários
para a construção de políticas públicas consistentes, dentro dos
princípios da sustentabilidade. E, sempre é bom lembrar, o bonde (ou o
trem-bala, para atualizar o dito) da história está passando e, de
maneira muito preocupante, o Brasil parece não perceber a gravidade de
perdê-lo.
SNOB
Marcos Jorge Dias - poesia acreana do livro Face Oculta (Editora Xapuri) enviado para o site Jundiahy
"Aos viciados em grifes,
endividados por marcas, consumidores de enlatados baratos que sonham com escargot.
A eles minha piedade, pela pequenez do olhar superior pelo título de pseudo-doutor e a submissa mediocridade.
Quando as coroas de flores murcharem sobre o caixão não haverá grife, marca ou título que os diferencie na podridão."
O rio é uma avenida dos peixes A avenida é um rio de carros A nuvem é uma água do ar A água é uma nuvem da sede O rodapé é o link do livro O link é o rodapé da tela O banheiro é o trono do humilde O trono é o banheiro do arrogante O escuro é a luz do cego A luz é o escuro do amante A consciência é a natureza da vida A vida é a natureza da consciência O meio não é equilíbrio do torto O torto busca o equilíbrio por outros meios.
Berman tends to wander far afield when examining how the square has
been depicted in art. And he is sometimes loose with facts, even
misspelling the place on 42nd Street where his father worked (the Bush,
not Busch, building). Still, he also makes sharp points along the way,
relishing the duality of Times Square, whose seductive ambience enticed
people "to 'cross the lines' — to make moves across whatever ethnic,
racial, class or sexual barriers mark their lives."
That spirit
reached its height during the celebration of victory over Japan in
August 1945, when the photographer Alfred Eisenstaedt captured a sailor
and a nurse in an innocently wanton embrace in the middle of Broadway.
Berman says this picture, seen nationally in Life magazine (and today a
photographic cliché), proclaimed Times Square a modern agora and the
embrace of strangers a democratic sacrament: "Man and woman, black and
white, land and sea, war and peace, aggression and nurturing, yin and
yang."
He has little affection for the period that followed, a time of "spiritual collapse." Teaching at the Graduate Center of the City University of New York, then on West 42nd Street, Berman was sometimes called on to escort
women students to subway stations or the bus terminal by detouring
around the 42nd Street strip known as "the deuce." "Women in the 1970's
came to feel not just excluded, but directly menaced by this block," he
recalls. "Sexual segregation and aggression enveloped a public space
that for generations had been an oasis of integration, in a
neighborhood where the spectacle of the crowd was the street's big
thrill. This was a disaster for the city."
If we don't recognize
that reality, Berman says, then "we won't grasp the forces that finally
blew the deuce away." He has imagination enough not to reflexively
denounce the squeaky-clean crossroads that resulted. "I find today's
square's exploding lights and multicultural crowds as hot and sexy as
any I've ever known," he writes.
Yet he discerns a danger just as
fundamental, though more subtle, than the lawlessness of the 1970's.
While taking notes in front of the new Reuters Building, he was
accosted by a security guard who told him he could not stand there — at
Broadway and 42nd Street, of all places. "What has made Times Square
special for a century is that, to a remarkable extent, it really did
belong to everybody," he says. The question is whether the agora,
though crowded and glowing again, can survive corporate proprietorship.
Berman
concludes by offering little more counsel than the words of a Beastie
Boys song: "You gotta fight for your right to party." It's one of the
few times in the book you wish he had said more.
(David W. Dunlap is a reporter at The New York Times and the author of "On Broadway: A Journey Uptown Over Time.")