O que me importa é saber como tá o canto do sabiá... (Edson Caran, Marcos Valle e Paulo S. Valle)
O PEIXE e A ÁRVORE - O termo Jundiahy pode ser encontrado em exemplos usados pelas ciências da natureza.
É o caso do peixe da familia dos bagres, o Jundiá (Rhamdia quelen,
no nome científico). Na imagem acima está a capa de catálogo de 30 espécies de
peixes na região da serra pesquisados em projeto conjunto da Associação Mata Ciliar com a UNESP, com apoio do programa Petrobrás Ambiental.O segundo exemplo é uma variedade de pau-terra que leva o nome científico de Qualea Jundiahy, em imagem do livro Árvores Brasileiras, de Harri Lorenzi.
A bacia do rio Jundiaí, como é usado dizer na língua portuguesa, decorre de um erro de tradução explicado na seção de CAUSOS. O foco agora é imaginar a topografia de Jundiahy a partir de sua drenagem de águas para os riachos Jundiaí, Guapeva e do Mato. Outros córregos menores foram extintos ao longo do tempo. Ao leste e ao norte, recolhe águas da Ponte de
Campinas, Barreira, Ladeira Municipal, Eixo Bandeirantes, Largo do
Chafariz, Ladeira Siqueira, Paulista e Vila Graf, além de partes da ladeira Segre e do largo São Bento.
Ao sul e ao sudeste, a
bacia do rio Guapeva recebe águas da Várzea do Guapeva, da
ladeira Cavalcanti, do largo da Saúde, do largo São José e de partes da ladeira Torres Neves, do largo Monte Castelo e do largo do Quartel.
Ao oeste, a
bacia do córrego do Mato recebe águas da Bela Vista, do largo da
Bandeira (ou ladeira do 28), do largo dos Andradas, da ladeira São
Jorge, da ladeira Tomanik, do largo das Rosas, do largo do Fórum e de parte da ladeira Segre e do largo da Catedral.
PATRIMÔNIO - Da sabedoria indígena ao conhecimento acadêmico existem
muitos argumentos para o carinho popular de Jundiaí e região com o meio
ambiente. Não é sem motivo que o centro histórico é demarcado por
riachos e suas praças tenham sido sempre tão importantes para eventos e
contemplação. e sua não menos importante paisagem histórica formando um MUSEU DE RUA
ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - O centro histórico interfluvial que chamamos neste portal como Jundiahy faz parte do território reconhecido como Área de Proteção Ambiental de Jundiaí, criado por legislação estadual. Saiba mais sobre as características dessa APA.
Aliás, já imaginou o centro interfluvial como uma área histórica onde os carros poderiam passar sem cintos de segurança, com velocidade limitada a 30 quilômetros por hora nas ruas? Essa proposta é imaginária, mas seria possível.
Em tempo: o centro histórico interfluvial continua sendo uma área indicada para caminhadas. Conheça os ROTEIROS LOCAIS.
Tópicos de Jundiahy
*
No entorno da Ponte de Campinas, a canalização do rio Jundiaí
parece ter radicalizado no concreto usado nas margens a jusante (rio abaixo) e no córrego das
Walquírias, que liga as águas da Serra do Japi com o rio principal da bacia. A lógica da engenharia contra inundações é visível, mas vale lembrar casos como Seul (Coréia do Sul)
ou Curitiba (Brasil) para a alternativa de parques lineares quando possível..
* No entorno da Bela Vista e da ladeira Tomanik, o córrego do Mato respira depois de protestos populares no ano passado que levaram à revisão dos projetos
para a área pela Prefeitura. É uma conquista democrática da comunidade e da
reavaliação criteriosa dos setores públicos envolvidos
(Ministério Público, Fundação Municipal de Ação Social, Caixa Econômica
Federal). A drenagem urbana é possível com
tubos paralelos aos riachos.
* No entorno do largo Monte
Castelo, o rio Guapeva segue mostrando boa recuperação. E estimula o potencial de um pequeno parque incluindo a mata ciliar no setor começando na Ponte Torta e passando pela encosta verde do largo, pela praça
em declive e pelos terrenos vagos na margem esquerda do rio entre as ruas
da ladeira Cavalcanti. Existe inclusive uma pequena faixa com um caminho urbanizado para passagem de pedestres
e ciclistas.
* No entorno da Várzea do
Guapeva está o encontro desse rio com o eixo da bacia, o rio
Jundiaí. A montante (rio acima) suas águas chegam ainda poluídas de Várzea
Paulista e Campo Limpo Paulista - porém a SABESP Saneamento do Estado
de São Paulo anunciou que estão sendo iniciadas as obras da estação de tratamento de esgotos dessa
região. E em todo esse trecho existem estudos da Prefeitura para um possível parque linear.
* No entorno da Vila Graf o grande debate é o desenho da nova ligação entre o centro histórico interfluvial e a zona leste, região criada pela colonização italiana do século XIX (Ponte São João, Colônia e Caxambu). A proposta inicial é um túnel de mão dupla interligando a avenida União dos Ferroviários (na região das antigas oficinas da Companhia Paulista) com uma duplicação da atual avenida marginal do córrego da Colônia. Como isso implica em desapropriações de casas, o debate ainda não foi encerrado mas já antecipa o futuro Estudo de Impacto de Vizinhança (atualmente em estudo).
* No entorno do largo da Liberdade, uma área verde remanescente ainda abriga vestígios do antigo córrego da Sorocabana/Fleischmann e pode ser recuperado diante do avanço da ocupação urbana.
* No entorno da Barreira, a "moldura verde" formada
pelos morros entre a rodovia Constâncio Cintra (Itatiba) e o Jardim
Florestal é motivo de preocupação de muitos moradores. Em maio de 2009, o
secretário de serviços públicos, Walter Costa e Silva,
afirmou que a legislação, mesmo com avanço dos empreendimentos imobiliários, prevê a conservação de 400 mil metros quadrados de
áreas verdes. Moradores esperam que seja suficiente para preservar o trânsito de aves silvestres e até saguis que existe nessa região.
A imagem da roda (acima) é simbólica e foi emprestada das ações doFórum Caxambuna região. Também outra entidade que atua nesse tema, a Associação Mata Ciliar, está entre as entidades exibidoras do circuito Tela Verde. Outras entidades, sediadas no centro histórico interfluvial, podem ser vistas na seção CENTRO ATIVO.
QUER ENTENDER A IMPORTÂNCIA DAS CONEXÕES VERDES DE JUNDIAHY PARA O AMBIENTE NO ESTADO?
Na foto acima, o secretário de planejamento e meio ambiente Jaderson Spina apresenta em 08/07/09 os novos planos para o córrego do Mato, onde será ampliada a avenida Nove de Julho. A biodiversidade aparece entre os objetivos do plano, refeito depois de intensos protestos da comunidade de Jundiahy em 2008 que incluíram até um "enterro" desse limite natural do centro interfluvial. (foto: Dorival Pinheiro/Prefeitura). Veja mais informações na seção de NOTAS
ALERTA PARA REVITALIZAÇÃO DA NOVE DE JULHO
Acima,
imagens do rio Han em Seul (Coréia do Norte) antes e depois da
demolição do "minhocão" e da revitalização ambiental que o transformou
em símbolo da cidade e exemplo de recuperação do ambiente urbano contra
o predomínio dos automóveis acima de tudo. As fotos e mais detalhes podem ser vistos em http://ecourbana.wordpress.com/2009/05/23/revitalizacao-impressionante-do-rio-seul.
Por Jayme Martins
Como a Prefeitura está em vias de empreender as obras de remodelação da avenida 9 de Julho, no qual a preocupação maior seria ampliar o número de pistas carroçáveis, seria oportuno que a equipe encarregada do projeto conhecesse as obras de revitalização urbanística da Capital da Coréia do Sul. Em duas ocasiões, já vimos pela Globonews partes de um documentário sobre a realização do projeto coreano e ficamos deslumbrados com o resultado.
Foi implodido o minhocão (monstruoso como o do Maluf sobre a avenida São João) que dominava o vale central de Seul e atendia exclusivamente às necessidades do tráfego de carros, infernizando a vida da população dessa área. Agora o curso d´água que havia sido tapado pelo minhocão foi ressuscitado e o antigo vale restaurado, com denso ajardinamento, povoado de árvores e flores, bancos e praças, no qual as famílias vizinhas de qualquer parte da cidade desfrutam de lazer em ambiente de pureza e regozijo.
Por solicitação nossa, o querido amigo global Fabbio Perez deve solicitar hoje uma cópia desse documentário à Globonews. Idêntico pedido fizemos à Embaixada da Coréia do Sul, cuja assessoria informou que o ministro-conselheiro da Embaixada ficou de nos enviar uma cópia. Com isso, esperamos contribuir que a 9 de Julho seja revitalizada e não simplesmente remodelada em prol de carros e caminhões e não pelo bem estar da população.(O autor é jornalista e um dos mentores do projeto de despoluição do rio Jundiaí em 1982, em artigo de 24/06/2009 no diário Bom Dia - http://www.redebomdia.com.br).
A ESTÓRIA DE UM RIO QUE VIROU CÓRREGO
Por Roberto Franco Bueno
Conta-nos a história que Rafael de Oliveira, “o moço”, Petronilha Antunes e famílias, encantaram-se com o local da aldeia de Jundiahy, no alto de um morro cercado por três rios: o Jundiahy com sua densa mata ciliar a leste, o Coapeba, com sua extensa várzea ao sul e o Rio do Mato, em férteis terras a oeste.
Rafael descende de Beatriz irmã de Bartyra, filhas Tebiriçá; a primeira esposa de João Ramalho e a segunda criada por este; as quais conviveram na Vila de São Paulo, naquele mundo maravilhoso da mata atlântica, muito bem descrito por Anchieta em suas cartas.
Beatriz teve 5 filhos do lusitano Lopo Dias, dentre os quais a última, Suzanna, meia índia, morena faceira e bem nascida; casou na freguesia de Quitaúna com Manuel Fernandes Ramos, sevilhano de Moura, Portugal.
Manuel e o irmão André fundaram Sant’Anna de Parnahyba, às margens do Anhemby, estrada líquida, início do caminho do sertão, de onde o neto de Suzana, Rafael de Oliveira, “o moço”, adentrou o Guaxinduva e o Japy à busca de ouro; aculturando índios para o trato de suas terras.
Por outro lado o “tronco Pretos” da Freguesia do Ó, gerou Petronilha, casada com Antônio Jorge o qual, pela sua mãe, era neto de Piqueroby, irmão de Tebiriçá. Receberam sesmaria em Hibiturucaia, a leste do sertão de Jundiahy, onde se assentaram em 1614.
Os primeiros moradores das bucólicas paragens de Jundiahy ergueram uma capela no pelourinho da freguesia e, mais tarde, reunindo seus índios e suas fortunas construíram a Matriz de N.S. do Desterro, cultuando a saudade de suas origens.
O celeiro daquela aldeia, Termo e depois Freguesia de Sant’Anna, foi o córrego do Rio do Mato, ao longo do qual plantavam roças de cana, mandioca, cereais, legumes, verduras, criavam gado e, rio abaixo, lavadeiras ganhavam seu pão na bica, sob o correr de paineiras que dali, subia à Chácara do Padres cuidada pela austera Da. Urbana.
Por que essa estranha e intrigante denominação:-“córrego do Rio do Mato” ?
A princípio era o Rio do Mato, um curso d’água no vale entre o Anhangabaú e a Bela Vista, o qual recebia o córrego deste alto, três bicas d’água que nasciam na encosta oeste da Vila, desde a Capela até a Chácara dos Padres; além de três outras do lado oposto, entre o alto do Anhangabaú e o Retiro.
As águas do córrego Bela Vista foram paulatinamente desviadas na altura do Largo do Rocio, (Santa Cruz), primeiro a servir ao bebedouro no local de saída das bandeiras; depois ao curtume nos fundos da casa de Nhá Poli (esquina da Barão do Triunfo com Baronesa do Japy); e, finalmente, ao moinho de fubá atrás da casa de Estácio Ferreira, procurador da Câmara e benemérito do Mosteiro de S. Bento (esquina da Cel. Leme com Petronilha Antunes).
Além disso, a sobra dessas águas tomou o rumo do vale do Guapeva, para servir às roças de Antonio Álvarez Bezerra e seus filhos, donatários da Câmara, roubando ao Rio do Mato o porte de Rio, apondo-lhe o povo o epíteto de córrego.
Também havia, a seu meio curso, a bela lagoa da Vila Iracema, na chácara da família Gelli onde garças, pacas, capivaras e a molecada, por séculos; felizes, desfrutaram daquela natureza exuberante.
Está hoje em construção uma galeria desde o Largo pela rua Abílio Figueiredo, devolvendo aquelas desviadas águas ao velho Rio do Mato, restaurando-o. Quando o homem põe sua sabedoria a serviço da natureza, ela mesma o conduz a soluções inteligentes para problemas urbanos.
As leis de proteção aos mananciais, obrigam a conservar a vegetação ciliar ao lado de cursos d’água; criar vias marginais com emissários de esgotos, evitando sua poluição; prover secção de canal suficiente a conter sua bacia hidrográfica e até manter meandros, a disciplinar a velocidade das águas; preservando margens, vegetação e paisagismo.
Exigir o cumprimento delas é o mínimo que uma cidade civilizada pode esperar de seus administradores e urbanistas, para preservar o futuro e a natureza a nós concedida sem que pagássemos a Deus um tostão sequer de imposto; mas pela qual somos todos responsáveis.
Projetos excludentes da vida e propostas que só têm como justificativa a legal burocracia, nos deixam preocupados com certos tecnocratas que, não tendo criatividade, talento ou competência para solucionar simples problemas de conservação e preservação da natureza - herança de todos - AGRIDEM-NA, tentando cobrir rios com concreto.
Como são pobres de espírito!
Estamos sofrendo hoje as conseqüências do enorme equívoco que foi elencar o meio rodoviário como solução do sistema de transporte em nosso país continental, desmontando ferrovias e privilegiando automóveis, alargando ruas, colocando o individualismo acima da coletividade.
Meio ambiente não se constitui apenas da preservação de bens naturais, mas sim e principalmente, da historia e formação cultural de um povo, que por sua forma de vida inserida em um conjunto natural, o mantém pelos seus costumes, construindo o sócio-ambiente patrimônio de suas tradições.
DIA MUNDIAL DE AÇÃO CLIMÁTICA Que tal uma singela marcha entre os largos do Fórum e do Quartel no dia 24 de outubro? Clique acima e entenda.
SEMANA DO MEIO AMBIENTE 2009
COLETIVO
DOS POVOS DO JAPI - Dia
Mundial do Meio Ambiente
Carta
Aberta
A Serra do Japi não
pode mais ser usada como lastro ambiental. ua suposta
preservação não pode justificar o avanço dos empreendimentos imobiliários sobre
as áreas rurais e os córregos e rios engolidos pela urbanização. A iniciativa do
consórcio entre prefeituras do entorno do Japi precisa ser acompanhada com
atenção pela sociedade civil organizada.
O Coletivo dos Povos
do Japi é uma proposta de parceria entre ONGs e movimentos socioambientais
atuantes na APA - Área de Proteção Ambiental - território delimitado por leis,
parcialmente regulamentado. Há três anos, a
partir do Encontro dos Povos do Japi, (2006) um grupo trabalha a construção
do coletivo. Fórum Permanente Caxambu e Mata Ciliar (Jundiaí), Mata Nativa (Cajamar), Novas
Trilhas (Pirapora do Bom Jesus), Coletivo Jovem Caipira/REJUMA (Cabreúva), Caminho Verde (Campo Limpo
Paulista.), Ecomursa (Várzea Paulista), Ecosalto (Salto) e Caminho das Águas/INEVAT
(Itu) cooperam nessa tarefa.
Cada uma destas
instituições tem sua identidade, suas prioridades e ações. Mas neste Dia Mundial
do Meio Ambiente,apresentam-se novamente como Povos do Japi e, em Coletivo,
reafirmam a disposição de trabalhar em parceria e ações regionais em defesa
do meio ambiente, da vida, dos interesses da comunidade - sobretudo de crianças, jovens e das gerações futuras.
Foi a presente lida publicamente em 5
de Junho de 2009, no Anfiteatro da EE Bispo Dom Gabriel Paulino Bueno de Couto,
Jundiaí-SP, em atividade que contou com a presença do Exmo. Senador da
República por São Paulo, Eduardo Suplicy. Subscrevem as entidades, movimentos e
demais participantes.
A maquete da DAE S/A para uma das obras do PAC - ampliação da represa do Jundiahy-Mirim. O lago da esquerda é o atual Parque da Cidade e as pontes são na estrada do Pinheirinho e na rodovia Constância Cintra (em direção a Itatiba). Ainda não houve divulgação de planos do DAE S/A para a prevenção do gás
metano criado pela mata que poderia ficar submersa pela ampliação da represa de abastecimento da cidade. Vale refletir sobre essa obra essencial do plano federal de investimentos, o PAC,
porque sua outra perna em Jundiaí deu muito pano pra manga. A
canalização de córregos gerou protestos e culminou em mudanças no
projeto para o córrego do Mato, na avenida 9 de Julho, com acenos do
governo também no caso do córrego das Walquírias, que corta a rua do
Retiro.
Veja outros momentos da semana, em junho: A Eco Jundiaí 2009 surpreendeu desde os
painéis de carros feitos de bagaço de cana pela Plascar até os
trabalhos de escolas com as nascentes do rio Capivari, no Rio Acima,
com agenda 21 escolar “do Pedrinho”, em Louveira, com a coleta de água
de chuva, no Jundiaí-Mirim, com as tecnologias limpas, das Faculdades
Rosa... E tantos outros, num mosaico que mereceria um fim de semana
inteiro na próxima edição, com atrações culturais de apoio e coleta de agasalhos na
entrada. http://www.jundiai.sp.gov.br/PMJSITE/portal.nsf/V03.02/smpm_apresentacao?OpenDocument O zoólogo João Vasconcellos, da Unicamp, deu um tom ao debate citando
novas disciplinas emergentes como a “desconstrução”, que é o aumento do
verde no ambiente urbano e em seus riachos em uma inversão do caminho feito anteriormente. http://premioreportagem.org.br/article.sub?docId=7802&c=Brasil&cRef=Brazil&year=2004&date=novembro 2
O pessoal da Florestas Urbanas defendeu o combate a “ilhas de calor” em bairros pobres ou
favelas pela criação participativa de ambientes verdes. Até pontos de
ônibus com trepadeiras e telhados vivos são possíveis. Uma beleza. http://www.floresta-urbana.org O Coletivo Povos do Japi, com o apoio de ONGs, alertou para que coisas como o protocolo de intenções das prefeituras de
Jundiaí, Cajamar, Cabreúva e Pirapora, sobre um consórcio para a Serra,
não sejam usadas como pretexto para a falta de cuidados nas outras áreas
de cada município. Boa. http://socioambiental.ning.com
A Câmara Municipal teve eventos como um seminário sobre a criação do Estudo de Impacto de Vizinhança para grande projetos públicos e privados no município e outro sobre experiências de desenvolvimento sustentável, além da derrubada de vetos do prefeito para a criação do IPTU Verde e da Comissão de Bem Estar Animal (que precisa definir critérios tanto para os animais domésticos como para os silvestres que usam o espaço urbano). http://www.camarajundiai.sp.gov.br/cmjnet
Na Semana do Meio Ambiente a ONG Mata Ciliar promoveu distribuição de mudas em parceria com o Paineiras Center, que numa próxima oportunidade pode incluir em seu cartão institucional o nome da espécie e a altura que pode atinger a mesma quando adulta para orientar as pessoas sobre onde plantá-las e prolongar a utilidade do seu cartão de forma sustentável. http://www.mataciliar.org.br
Em Várzea Paulista, de onde chega parte da poluição do rio Jundiaí, a perspectiva de uma estação de tratamento conjunto de esgotos com Campo Limpo é acompanhada de eventos que vão além da semana e comemoram o mês do meio ambiente. http://www.varzeapaulista.sp.gov.br
Em Campo Limpo, esteve muito ativa a ONG Caminho Verde nos eventos da semana chamando a atenção especialmente para a necessidade de ações de educação ambiental perto das nascentes do rio Jundiaí. http://www.ongcaminhoverde.org.br
Inspiração e cartão postal Os dois selos e o cartão postal de 2008 dos Correios e Clube Filatélico de Jundiaí: só faltou os peixes e uma tiragem maior. Foto: Cleber de Almeida para site da Prefeitura.
Trecho do hino...
Que belas tardes amenas!
Que lindas noites,
Felizes, serenas!
Teu jardim, é um paraíso
Onde a mocidade sempre jovial,
Com seu odor, confunde o riso.
Quem poderia imitar
O teu céu com suas cores?
Com teus lindos fulgores?
Os teus campos, tuas flores?
Só a natureza guiada pelo Criador
É que pode pintar este arrebol
Que jamais vi,
Tardes ao pôr do Sol!
(Haydée Dumangin Mojola, trecho do hino Terra Querida, Jundiaí, 1933)
Divagações
PORQUE PENSAR A POLUIÇÃO AMBIENTAL É IMPORTANTE? VEJAM ISTO...
Sons
da floresta revelam que biodiversidade da Amazônia é muito
maior do que se imaginava
Utilizando
a bioacústica, pesquisadores estão
descobrindo novas espécies no bioma amazônico. Assunto será debatido
na 61ª Reunião Anual da SBPC.
Através dos ouvidos, pesquisadores na Amazônia
estão fazendo descobertas sobre a real biodiversidade
da floresta amazônica que passaram despercebidas aos
olhos de outros cientistas que se dedicaram a estudá-la.
Utilizando a bioacústica, uma ferramenta tida como
uma das mais úteis para reconhecer e identificar na
natureza a diversidade de aves e outros animais que emitem
sons, eles estão constatando que a variedade de espécies
do bioma amazônico é muito maior do que se imaginava.
“Onde nós achávamos, pela observação
visual, que tinha uma espécie só, quando estimulamos
nossa atenção pelo som descobrimos que tinham
diversas que foram cegamente ignoradas, porque em uma primeira
impressão pareciam todas iguais”, afirma o ornitólogo
e curador da coleção de aves do Instituto Nacional
de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Mario Cohn-Haft. Ele
abordará esse assunto em uma conferência durante
a 61ª Reunião Anual da SBPC – evento que a Sociedade
Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) promoverá de
12 a 17 de julho em Manaus (AM).
De acordo com o pesquisador, que estuda os padrões
de distribuição de aves amazônicas, as
pesquisas sobre a biodiversidade da Amazônia foram
iniciadas utilizando a visão, o sentido humano mais
desenvolvido, para identificar as espécies pelos seus
aspectos morfológicos – as formas e cores. A partir
da década de 50, com o surgimento de potentes gravadores
de som portáteis e de análise visual dele -
denominada análise acústica, em que o som é convertido
em um gráfico, o sonograma –, se tornou possível
também utilizar o estudo do som para catalogar a diversidade
e variabilidade das espécies na Amazônia.
“Os sons estão possibilitando identificar a diversidade
biológica da floresta amazônica, que muitas
vezes é ofuscada pelos aspectos visuais. Os animais
produzem sons únicos e singulares. E o estudo desse
repertório sonoro permite identificar as espécies
e descrever a variação geográfica delas
por meio da mudança do som que elas fazem de um lugar
para outro”, explica Cohn-Haft.
Diferenças genéticas – O
uirapuru de algumas partes da Amazônia, por exemplo,
não canta igual aos outros integrantes de sua espécie
que podem ser encontrados em outros lugares da região.
O que caracteriza uma variação de som de indivíduos
da mesma espécie que, segundo o pesquisador, tem duas
possíveis explicações.
A primeira é que nesses diferentes pontos da região
amazônica o pesquisador, em trabalho de campo, pode
ter amostrado apenas uma parte do repertório de sons
dos pássaros que, na verdade, podem fazer os mesmos
sons em qualquer lugar, induzindo o observador a concluir
erroneamente que isso representa uma variação
geográfica da espécie. “É como se ao
ouvirmos pessoas dizendo “bom-dia” em lugar e “boa-noite” em
outro, concluíssemos que elas falam idiomas diferentes.
Mas se passássemos mais tempo, pelo menos um dia e
uma noite, nesses dois lugares, descobriríamos que
elas falam as duas frases em ambas as partes”, explica o
pesquisador.
A segunda hipótese é que o som emitido por
uma população desta ave em um determinado ponto
da Amazônia é, de fato, diferente do produzido
por indivíduos da mesma espécie localizados
em outros locais da região amazônica. O que
está dando origem à outra grande descoberta. “Estamos
descobrindo que, quando há uma diferença de
som de um local para outro de uma população
da mesma espécie, também há uma diferença
genética. O animal é outro”, revela Cohn-Haft.
Na avaliação do especialista, o estudo do
som está se tornando uma ferramenta útil e
barata para reconhecer diferenças genéticas
em populações de animais. E, em função
dessa projeção, está sendo aplicado
no estudo de identificação de diversas novas
espécies de animais. “A bioacústica tem um
potencial muito grande e já é muito explorada
em outras partes do mundo. Hoje em dia tem gente trabalhando
com sons de quelônios – tartarugas – em florestas,
além de anuros – sapos – e até insetos. E nós
estamos trabalhando pesado com isso em aves”, conta.
Música da floresta - Segundo Cohn-Haft,
o som exerce um papel crucial de comunicação
para os animais. Eles o utilizam para enviar mensagens a
outro indivíduo, normalmente da mesma espécie.
Mas ao contrário do que imagina um observador humano
desatento que, ao se embrenhar em uma mata ouve uma proliferação
de barulhos produzidos por diversos animais e acredita que
são aleatórios, os sons da floresta têm
uma ordem e estrutura próprias.
“Os animais têm cuidado para escolher o momento, a
freqüência, o timbre - se agudo ou grave - e a
repetitividade do som, para não perder o esforço
e desperdiçar a energia para se comunicar. Porque
o objetivo é que o som seja ouvido por alguém”,
diz.
O pesquisador compara os sons da floresta a uma orquestra,
em que os animais, tal como os músicos instrumentistas,
executam partes e fazem vozes específicas que se completam,
formando uma sinfonia. “Não é cacofonia, uma
barulheira só. Tem uma ordem. E o resultado a gente
só percebe que é muito bonito”, avalia o especialista,
ressaltando que não foi por acaso que grandes compositores
criaram obras baseadas nos sons dos animais, como o maestro
brasileiro Carlos Gomes, que compôs “O canto do uirapuru”.
Nicho sonoro – O tipo de ambiente, conta
o pesquisador, também afeta o som produzido pelos
animais. Em ambientes de floresta densa, o timbre de voz
deles tende a ser mais grave para o som se propagar melhor
no meio da vegetação. Já em ambientes
de mata aberta ou nas próprias copas das árvores,
a propagação do som não sofre a interferência
da vegetação, e os barulhos produzidos pelos
animais podem ser de ondas curtas - mais agudo. Com base
nisso, as alterações ambientais promovidas
pelo homem, como o desmatamento, podem afetar em curto prazo
o sucesso de comunicação sonora dos animais
e, em longo prazo, a sobrevivência de organismos já adaptados
ao ambiente que sofreu mudanças.
Da mesma forma que existe um conceito de nicho ecológico,
em que uma floresta é dividida em partes onde cada
espécie desempenha uma determinada função
em seu habitat , nela também há nichos
sonoros. Essas características de timbre, horário,
repetitividade dos sons e a escolha do momento em que o pássaro
canta são maneiras de evitar que sua voz suma em meio
a outros barulhos e dividir o ambiente acústico, garantindo
que seu som seja ouvido.
Mas o que exatamente cada animal quer comunicar com seus
vários sons é outro assunto, que também
já está sendo objeto de pesquisa. “Que eles
querem ser ouvidos quando vocalizam e que usam diferentes
sons em diversos contextos, isso nós já sabemos.
Mas o que estão dizendo um para o outro, só estamos
começando a entender”, antecipa Cohn-Haft.
Serviço: A palestra “Os Sons da
Floresta”, do biólogo Mario Cohn-Haft, foi realizada
no próximo dia 14 de julho, às 10h30, durante
a 61ª Reunião Anual da SBPC. O evento, cujo tema é “Amazônia:
Ciência e Cultura”, será realizado a partir
do dia 12 em Manaus (AM), no campus da Universidade Federal
do Amazonas (UFAM). www.sbpcnet.org.br/manaus